

Desde 2023, Executivo promove ações para aumentar a arrecadação federal, incluindo reoneração da folha, fim de isenções e taxação de apostas online.
Desde o início de 2023, o governo federal tem concentrado esforços em ampliar a arrecadação para equilibrar as contas públicas e cumprir a meta de déficit fiscal zero. Ao longo de quase três anos, mais de 25 medidas foram adotadas com esse objetivo, segundo levantamento da CNN, incluindo revogações de incentivos fiscais, criação de novos tributos e aumento de alíquotas já existentes.
As ações impactam diretamente contribuintes, empresas e o mercado financeiro, e reacendem o debate entre Executivo, Legislativo e Judiciário, especialmente após a recente alta do IOF por meio de decreto presidencial. Abaixo, detalhamos as principais medidas adotadas entre 2023 e 2025.
Uma das primeiras medidas foi a publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.202/2023, que inicialmente previa o fim do Perse — programa emergencial voltado ao setor de eventos — mas, após pressão do setor produtivo, foi alterada. O texto final limitou a compensação de créditos tributários decorrentes de decisões judiciais, impactando diretamente empresas que recorrem à via judicial para recuperar tributos pagos a maior.
A reversão da alíquota reduzida de PIS/Cofins, estabelecida em janeiro de 2023, foi outro movimento relevante. Embora o Congresso tenha derrubado a medida, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a decisão do Executivo em outubro de 2024, restabelecendo a cobrança integral.
A tributação sobre fundos exclusivos e offshores foi oficializada em novembro de 2023, com alíquotas de 15% para fundos de longo prazo e 20% para aplicações de curto prazo. A medida buscou corrigir distorções no sistema financeiro e arrecadar recursos de investidores de alta renda.
Outra mudança relevante foi a limitação do uso de Juros sobre Capital Próprio (JCP) como mecanismo de planejamento tributário. O governo alterou a base de cálculo e restringiu estruturas que permitiam deduções elevadas, afetando diretamente grandes empresas.
Já no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a recriação do voto de qualidade — que garante vitória ao Fisco em caso de empate — foi considerada um marco. A Fazenda Nacional estima arrecadar cerca de R$ 60 bilhões por ano com a medida.
Diversas medidas específicas foram implementadas para reforçar a arrecadação. Entre elas:
A chamada “taxa das blusinhas”, aprovada em 2024, estabeleceu alíquota de 20% sobre compras internacionais acima de US$ 50. A medida foi alvo de intenso debate no Congresso e teve como foco plataformas como Shein, Shopee e Amazon.
Além disso, multinacionais com faturamento anual superior a €750 milhões em ao menos dois dos últimos quatro anos passaram a ser tributadas com alíquota mínima de 15% sobre os lucros obtidos no Brasil.
O ano de 2025 marcou a implementação do marco regulatório das apostas esportivas online (bets). As empresas que operam no setor passaram a pagar outorga de R$ 30 milhões, além de tributos como:
A carga tributária efetiva do setor pode ultrapassar 50%, segundo estimativas das operadoras.
Outra frente de arrecadação foi a reoneração gradual da folha de pagamento, tanto do setor privado quanto dos municípios. A alíquota, que voltará a 20% em 2028, será retomada progressivamente a partir de 2025.
Em junho de 2025, o governo publicou um decreto elevando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em diversas frentes, o que gerou reação no Congresso e no mercado. Entre os pontos:
A Medida Provisória nº 1.303/2025 consolidou a estratégia de aumento da arrecadação com a inclusão de novos tributos e elevação de alíquotas já existentes:
As medidas adotadas pelo Executivo têm como pano de fundo a necessidade de atingir a meta de déficit zero, promessa feita pelo governo desde o início da atual gestão. No entanto, muitas dessas iniciativas têm gerado reações negativas de setores produtivos, do mercado financeiro e de parlamentares, especialmente diante da ausência de corte significativo de gastos públicos.
Ao longo de 2025, o governo continuará pressionado por um cenário de arrecadação em disputa e por eventuais judicializações das novas regras. O aumento da arrecadação, embora necessário para sustentar as contas públicas, ainda depende de uma coordenação eficiente entre os Três Poderes.
Com mais de 25 medidas implementadas entre 2023 e 2025, o governo federal aposta fortemente no aumento da arrecadação como estratégia para alcançar o equilíbrio fiscal. A ampliação de bases tributárias, a revisão de benefícios e a criação de novos tributos reforçam a tendência de maior rigor fiscal no país.
Contadores, empresários e gestores financeiros devem se manter atentos às mudanças e avaliar os impactos no planejamento tributário e na gestão empresarial.
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